29.10.07
Mudança
Fui para:
Hoje já é terça. Na verdade, já é quase quarta. Isso significa que daqui a pouco já posso dizer que depois de amanhã à noite vou dançar até passar mal com a incrível J.C.E.R. É diversão garantida!
Estou ansiosa. É sempre bom ver, ouvir e sentir essa incrível banda e encontrar os poucos leitores desse blog que - nada por acaso - se não são os fãs, são os integrantes da tal rock n’ roll band. E também será meu grito de férias, já que a temporada feriadões de novembro será oficialmente aberta com a tal "Fiesta de Muertos". E, no mês seguinte à temporada de feriados, Dezembro - trazendo o tão sonhado e merecido descanso!!!!
Mas, antes disso, vou encontrar os amigos, a cerveja e até o Jim Morrison!!
Ai, meu Deus! Que saudades…Igualzinho ao Tabata e Pedrinho…
http://www.youtube.com/watch?v=zXvF3Z746jg
Essa semana tem Boca da Mata.
Lá sinto-me como o guardador de rebanhos. Na verdade, posso sentir-me como Caeiro também aqui. Mas cá as areias do tempo atropelam-me e machucam-me como numa tempestade no deserto; e não vejo pôr de sol nenhum, nem a calmaria da noite, nem manhã, nem nada. Só ouço o relógio lembrando-me que há um tempo abstrato repleto de fatos concretos atuando sobre um espaço que eu mau sinto ou aprecio, infelizmente - posto que também é belo.
Na Boca da Mata minha alma se aquieta. Mas se por lá me demoro minha alma adormece, mergulhando num coma.
Então vivo assim: lá e cá. Preciso dos dois. Ambos completam-se e completam a mim.
I just don’t know what to do with myself
Tcha nan nan!
I just don’t know what to do with my problems
Tcha nan nan!
I just don’t know what to do with my nightmares
I just don’t know what to do with my dreams
I just don’t know what to do with my reality
Tcha nan nan!
I just don’t know what to do with my wishes, my little money, my anger, my tears, my thoughts, my madness, my sadness, my happiness, job, my boss, my appointments, my disappointments, my laziness, my night and day, with the team I suport, my weight, my diet, my utopies, my convictions, with the planet, my dirties, my mind, my soul, my faith, my gods, my demons, and with everything I can’t stand.
I just don’t know what to do with you and me.
I just don’t have the slightest idea…
Tcha nan nan!
Foi onde passei o melhor da minha infância. Tinha a casa da vó, a igreja de crente, o Bar do Nandi na esquina, a casa da Sil, dos batatinhas…
Era só chegar da escola, almoçar rapidinho e encontrar a criançada do lado de fora. As brincadeiras eram muitas: queimadas, bete (em São Paulo conhecida como Taco), mamãe da rua, elefante colorido, esconde-esconde, siga o mestre…Num tempo e numa rua onde até os velhos e saudosos Atari eram raros, nós brincávamos de tudo aquilo que deixou cicatrizes nos cotovelos, joelhos e canelas; e muitas saudades cada vez que olho para elas.
A rua começava lá em baixo, no Centro. Mas a parte que era meu mundo começava com a esquina do Bar do Nandi. Eu era criança, ainda não era chegada numa cervejinha. O tal bar marcou porque lá era onde as moedinhas se transformavam em doces, balas, chichetes…Também era uma vendinha com balcões, não prateleiras. Nos encostávamos no balcão, pedíamos o produto, o Seu Nandi ou a Dona Eva pegavam a mercadoria, pagávamos e íamos embora contando as balas e escolhendo os sabores que íamos deixar pro final. Sempre das menos para as mais saborosas.
Depois a rua ia subindo com “Chapéus de Praia” nas calçadas. Não sei se esse é o nome certo da árvore, uma que dá uns frutinhos verdes que os morcegos adoram. Quando ficavam carregadas, o cheiro exalava rua afora e, à noite, os morcegos faziam a festa. Confesso que morria de medo dos ratinhos voadores, mas eles nunca atacavam ninguém.
Em frente à casa dos meus avós e ao lado da minha casa, meu avô colocou um balanço e na árvore ao lado tinha uma tabela de basquete. O aro era de uma bicicleta. Meus primos, os batatinhas, os filhos do pastor da igreja e eu nos acabávamos ali. Também tinha o abacateiro carregado da casa da outra esquina. Quanta vitamina tomei com aqueles abacates!
Lembro-me de uma vez que encostou um carro na oficina do pai dos batatinhas (o Seu Batata) e era de uns caras de outra cidade, que ficaram esperando na calçada pelo conserto. Eles tinham um vilão e , debaixo de uma das árvores, ficaram tocando pra passar o tempo enquanto a criançada cantava. Eu devia ter uns oito anos e acho que minha paixão por uma roda de vilão começou ali. Eles tocaram “felicidade foi-se embora…”, o carro ficou pronto, eles partiram e nós ficamos no meio da rua dando tchau até o carro sumir.
Os domingos lá eram mais ou menos assim: acordava com a banda da igreja tocando. Era bonito, somente instrumental. Ficava espiando do alpendre, esperando pelo Corcel vinho do meu tio que vinha trazendo minhas primas e meu primo. Quando ele encostava em frente a casa da avó, eu descia em disparada: estava começando meu domingo! Depois da macarronada clássica, brincávamos na rua e íamos ao cinema. Os filhos do pastor eram nossos amigos e deviam ser a família mais abastada da rua, pois o pastor pagava os ingressos de todo mundo. Os filmes eram sempre os mesmos (algum dos Trapalhões) no pobre cinema que hoje é igreja Universal (que pena!), mas tinham tudo de especial. Na volta, subíamos a rua todos juntos, umas doze crianças. Aí começava a escurecer, cada uma ia para sua casa. Meus primos e eu entrávamos na casa da vó, fechávamos os pastéis que comíamos enquanto assistíamos aos Trapalhões. A família toda morria de rir!
Não existe mais a casa da vó, nem o Bar do Nandi, nem a oficina do Batata…Ninguém mais da minha família mora lá. São poucos os “chapéus de praia”. Mas toda vez que vou àquela cidade, dou um jeito de passar por lá. Dá uma dor gostosinha de saudade. E fico feliz por ter certeza de que tive uma infância do cacete!!
Finalmente chegou o tão esperado feriado! E mal entrou, já foi indo embora. Nem tomou um cafezinho. Não foi o que eu pensava. Pra falar a verdade, não tinha feito nenhum plano. Apenas queria e precisava - como precisava – descansar. Dormir até tarde, comer na hora que tivesse vontade, assistir um bom filme, namorar…
Mas esses dias serviram mesmo para eu descobrir um pouco mais sobre mim. Sobre meus defeitos, pra ser mais exata. Ou serão apenas limitações que eu tenho que respeitar enquanto não sei transpor? Ou não é nada disso e eu entendi tudo errado?
Ai, esquece tudo. Eu descobri mesmo é que preciso voltar urgente pra terapia! E esse post não é pra ser engraçado. É um desabafo!
P.S.: valeu a paciência, Ri.
Costumava ser uma aranha preocupada, que tecia seus fios para prender a todos em suas macias linhas de carinho, gentileza e prontidão.
Agora seus fios se transformaram em armadilhas onde ela própria é a prisioneira.
Sempre foi indispensável, mas não lhe demonstramos da forma que esperava, e passou a negligenciar sua agradável companhia.
Costumava conversar muito, sempre foi falante. Agora, para não falar de si, fala sem parar sobre o que não é interessante. Sabe detalhes dos mundos alheios e esconde muito bem os segredos de seu próprio mundo, cada vez mais fechado. Às vezes me pergunto se ela mesma os conhece. Perigos que criou sozinha, medos insuperáveis de coisas tolas. Tudo isso feito só, e cada vez mais só vai ficando.
Dói ver que aquele brilho, determinação e força vão se esvaindo. Dói ver que as folhas vão caindo rumo a um interminável solstício de inverno e que o sol nunca mais incidirá sobre ela como antes.
Já me perguntei se tive alguma participação nisso tudo. Pode ser, mas deve ser apenas o caminho inexorável da vida.
Tinha um papo circulando na Internet de que hoje teríamos duas luas. Uau! Para os cães, mais uivos. Para os poetas, mais inspiração. Para os amantes, mais paixão. Para os paulistanos, uma puta frente-fria pra cobrir todo o céu e não deixar visível nem nossa luinha de sempre, que dirá duas!
Mas para nosso consolo, tal história é um mito, segundo especialistas. A tal segunda lua é Marte, que estará mais próximo da nossa casa este ano, mas só em Dezembro. Em 27/08/03 o planeta dos marcianos atingiu a menor distância da Terra, ficando a apenas 56 milhões de quilômetros. Isso só acontecerá de novo em 2018, já que em Dezembro Marte ficará a uns 80 milhões de quilômetros. E não tem nada de duas luas na história: a 80 ou a 50 milhões de quilômetros daqui, Marte será como uma estrela mais brilhante. Portanto, o céu carrancudo não estragou coisa nenhuma!
Agora confesso: fiquei tão irada com o fato de a frente-fria ter estragado algum tipo de “espetáculo” que resolvi investigar se realmente havia algo para ser visto. Ainda bem não. Agora me sinto aliviada por não estar perdendo acontecimento algum, e uma idiota por apenas olhar pro céu quando alguém diz que algo espetacular irá acontecer. Havia me esquecido de que ele é sempre lindo. De um crepúsculo a outro.
Ao som: Isn’t She Love – Steve Wonder
Agosto está acabando. Sempre ouvi que é o mês do azar e do cachorro louco. Mas logo percebi que isso era só porque é um mês de 31 dias e sem feriado. Corpus Chrsti já passou faz tempo e ainda está longe de 7 de setembro. E para mim com um agravante: geralmente tenho crises alérgicas e acabo de molho tomando anti-alérgicos por causa do veranico de inverno. Portanto, um mês longo, consativo e seco, nada mais!
Mas o cachorro louco acabou me encontrando.
Primeira semana: o mês começou numa quarta-feira. Bom, só três dias e já vem o sabadão!
Segunda semana: o azar ainda não bateu à porta e não tive crise alérgica. Está chegando dia dos pais.
Terceira semana: não vi meu pai do domingo, mas passei bem o dia com a família do Ri. A urucubaca de agosto parece estar distante de mim apesar de começarem as tosses.
Quarta semana: parece que o mês estava passando por mim sem me notar, estava tudo muito bom demais pra ser agosto. Aí, nessa mesma semana, bateram no meu carro e eu aprendi o significado daquela frase “Oh, no, please don’t let me be misunderstood” . Aprendi que às vezes quando me calo ou concordo só pra não esticar um assunto, posso ser mal interpretada e passar uma idéia que não é a que realmente sinto.
Agosto finalmente chegou como uma bomba. Só espero que a próxima semana seja melhor. Pelo menos será a última!